Câncer de Mama  
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Nova técnica cirúrgica para o câncer de mama: Linfonodo Sentinela
O câncer de mama representa hoje em dia um dos tumores malignos mais frequentes entre as mulheres, sendo o responsável por cerca de 20% de todos os casos novos de tumores malignos na população. Espera-se no mundo, para este ano, mais de 1.000.000 casos novos e no Brasil este número deve ser em torno de 41.500 casos. Isto justifica os enormes investimentos atuais, desde campanhas de detecção precoce até em técnicas sofisticadas para o tratamento desta doença.

O tratamento cirúrgico tem passado também por importantes transformações. Antes da década de 1970, o tratamento padrão era a mastectomia radical, cirurgia extensa, mutilante, que invariavelmente levava a grandes sequelas e prejuízos para a paciente, seja no campo da reabilitação motora e funcional, como no campo social, afetivo e psicológico. A partir de meados da década de 1970, a cirurgia conservadora da mama mostrou, para os casos iniciais, ser equivalente às mastectomias radicais, do ponto de vista de tratamento oncológico. Foi um grande avanço para as pacientes, reduzindo muito o impacto social e psicológico negativo da cirurgia praticada até então. No entanto, mesmo as cirurgias conservadoras da mama apresentam sequelas importantes para a paciente, principalmente pelo fato de incluírem também a dissecção da axila. O câncer de mama, na quase totalidade de casos, se dissemina inicialmente para os gânglios linfáticos ou linfonodos da axila. A dissecção da axila, também chamada de linfadenectomia axilar ou axilectomia, sempre foi considerada parte muito importante do tratamento cirúrgico do câncer de mama, pois nos permite determinar se o tumor já apresenta ou não disseminação para os linfonodos e este dado é fundamental para determinar o prognóstico e programar o tratamento adjuvante, ou seja, a necessidade de quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia.

O maior problema existente em relação à dissecção axilar é a alta morbidade do procedimento, ou seja, existem inúmeras complicações inerentes ao procedimentos cirúrgico, entre elas o linfedema ou edema de braço, limitação de movimentação da articulação do ombro, dor crônica e alterações da sensibilidade do braço e axila.

Para os tumores iniciais e menores que 2,0 cm a incidência de disseminação ou metástase para os linfonodos da axila é freqüentemente baixa, variando de 3 a 10%, sendo menor quanto menor o tamanho de tumor. Portanto, para mais de 90% das pacientes com tumores iniciais da mama, a dissecção da axila seria desnecessária, pois os linfonodos não estariam invadidos pelo tumor.

Com base nestes dados, existe hoje um novo desafio na abordagem do tratamento do câncer de mama: tentar estabelecer com segurança se existe ou não o comprometimento dos linfonodos axilares sem a realização da dissecção cirúrgica completa.

Dentre os métodos modernos de investigação do comprometimento axilar, existe o estudo do linfonodo sentinela, que representa o primeiro linfonodo que recebe toda a drenagem linfática da região do tumor e conseqüentemente, se ele não estiver comprometido por células do tumor, todos os outros também não estariam e não haveria necessidade de se realizar a dissecção axilar completa, diminuindo-se assim as sequelas do tratamento cirúrgico para o câncer de mama.

Estudos realizados em todo o mundo mostram que este conceito é valido para 95% dos casos de tumores de mama de até 2cm sem evidência clínica de comprometimento axilar.

O método mais eficiente para identificar o linfonodo sentinela é através da injeção de substâncias marcadas com substâncias radiotaivas, que não causam nenhum problema para a paciente, injetadas na região do tumor na mama. Após a injeção desta substância, seu trajeto é documentado por imagens de cintilografia em diferentes tempos até que o linfonodo sentinela seja identificado.

As partículas marcadas permanecem retidas nos linfonodos por tempo suficientemente prolongado para permitir a detecção da radioatividade através de uma sonda ( chamada de “probe” ) no momento da cirurgia. O probe é uma sonda portátil que detecta raios gama e o seu uso durante a cirurgia é inócuo e permite a identificação do linfonodo sentinela em poucos minutos. A incisão cirúrgica para é mínima, cerca de 2-3 cm e com isto praticamente não acarreta seqüelas para a paciente.

Uma vez identificado, o linfonodo sentinela, ele é analisado pelo patologista e se ele estiver livre de células tumorias, não é feita a dissecção axilar. Por outro lado, se existir o comprometimento por células tumorais, o cirurgião fará a cirurgia convencional.

Portanto, para os tumores iniciais de mama, a pesquisa do linfonodo sentinela justifica-se por predizer corretamente o comprometimento axilar em até 95% dos casos, com uma cirurgia minimamente invasiva, o que diminui as sequelas motoras, funcionais e de sensibilidade, secundárias à cirúrgia convencional do câncer de mama.


Dr. Renato Torresan
Instituto de Mama Campinas

 

 

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