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O Instituto
de Mama Campinas e o Centro de Oncologia de Campinas
realizam desde agosto de 2004 um novo tipo de tratamento para o
câncer de mama: cirurgia associada à Radioterapia Intra-operatória.
Este foi um dos primeiros procedimentos desse porte realizado no
Brasil.
Trata-se de um ato médico
inovador, em que a paciente realiza a radioterapia durante a cirurgia
de retirada do tumor, evitando a necessidade de irradiação
posterior. Os procedimentos estão sendo realizados nas instalações
do COC – Centro de Oncologia de Campinas.
Há alguns anos estuda-se a
possibilidade de realizar esse tipo de radioterapia, transformando
o demorado tratamento de câncer de mama, posterior à
cirurgia, no “Tratamento do Câncer de Mama em um só
dia”. Mais de 500 mulheres já foram submetidas a esse
procedimento no Instituto Europeu de Milão, na Itália,
centro de referência mundial no tratamento do câncer
de mama. O mastologista Henrique Brenelli, diretor do Instituto
de Mama Campinas e o Radiooncologista do COC, Dr. Ernane Bronzatti
esiverame em Milão, no mês de junho de 2004, e puderam
acompanhar a execução de vários casos, sendo
a técnica posteriormente adaptada no Brasil. Outros importantes
centros na Europa e nos EUA também estão realizando
o procedimento.
Atualmente, toda portadora de câncer
de mama que é submetida a uma cirurgia conservadora (onde
se retira apenas parte da mama) deve realizar tratamento complementar
com radioterapia sobre a mama operada. "A radiação
visa destruir algumas células que possam ter sido deixadas
na área da cirurgia ou possíveis focos em outros locais
da própria mama", ensinam os mastologistas. Segundo
eles, a aplicação da radioterapia permite reduzir
em média três vezes as recorrências locais. Com
esta técnica, após a cirurgia conservadora, a paciente
é submetida à uma dose de radiação de
21 cGy, no local da cirurgia. O tempo de aplicação
varia de 8 a 10 minutos e após a aplicação
é realizado o fechamento cirúrgico e a paciente está
apta a receber alta após algumas horas. Com o tratamento
convencional, a dose chega a 50 cGy em toda a mama, fracionada em
5 a 6 semanas, com aplicações diárias. O efeito
biológico das duas modalidades de radiação
são equivalentes, pois apesar de dose menor, na radioterapia
intra-operatória, esta é aplicada diretamente onde
o tumor estava localizado.
Muitas cidades não contam
com serviços de radioterapia e isso implica, na maioria dos
casos, além de um custo grande no que se refere ao transporte
e hospedagem, o enfrentamento de 'filas' para receber o tratamento,
o que acaba retardando e diminuindo seus resultados", afirmam
os especialistas. Um outro agravante é que, em geral, a realização
da radioterapia concomitante a quimioterapia (necessária
na maioria dos casos) pode tornar o tratamento extremamente tóxico,
com uma série de efeitos indesejáveis à saúde
da paciente.
Além de ser seguro, o procedimento
tem outras vantagens, entre elas a garantia de irradiar somente
a parte da mama afetada pela doença, sendo o restante do
órgão preservado dos efeitos colaterais da radiação
como dores, vermelhidão ou queimadura da pele e inchaço.
Além disso, há que se destacar a praticidade, a diminuição
do custo para a paciente, a rapidez com que é executado,
além de não postergar o início da quimioterapia.
Segundo os mastologistas, este tratamento marcará uma nova
fase na abordagem do Câncer de Mama.
Os médicos frisam que estudos
definitivos com o intuito de ratificar a eficácia do método
estão sendo conduzidos internacionalmente. Os EUA e a Itália
estão à frente desses estudos. No Brasil, esta técnica
está sendo realizada também em Porto Alegre e em 2
hospitais de São Paulo: Hospital Israelita Albert Einstein
e Hospital Sírio Libanês. |