• Fatores de Risco para o Câncer de Mama

    Atualmente, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Estima-se que a incidência desta doença vem aumentando com taxas em torno de 0,5 a 1,0% ao ano. É importante salientar que este aumento no numero de casos ocorre em todas as faixas de idade e é maior entre as mulheres acima de 50 anos de idade. No Brasil, a cada ano, diagnostica-se cerca de 50.000 novos casos. No mundo todo, este número ultrapassa a cifra de 1.000.000. Infelizmente, para um terço destas mulheres, a doença é incurável. Até o momento, mesmo com inúmeras inovações técnicas nas áreas de cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e imunoterapia, o fator mais importante para o sucesso do tratamento ainda é o diagnóstico precoce.

    Portanto, todo esforço deve ser feito por parte das instituições públicas e privadas no sentido de promover o diagnóstico precoce, que tem como base fundamental o exame de mamografia periódico após os 40 anos para a população geral, ou antes desta idade para mulheres consideradas de alto risco para desenvolver a doença. Mas o que quer dizer este “alto risco”?

    Fator de risco significa alguma característica de determinada família, pessoa, etc… que aumente a chance em desenvolver determinada doença. Quando trata-se de câncer esta característica seria uma mutação genética. O exemplo mais simples seria a associação entre cigarro e câncer de pulmão e/ou infarto. Esta mutação pode ser adquirida no decorrer da vida (como no exemplo acima sobre o tabagismo ou herdada dos pais, como nas síndromes genéticas familiares).

    Os 3 principais fatores de risco são história familiar positiva, idade avançada e antecedente pessoal de alguma doença mamária considerada “precursora” do câncer de mama.

    A história familiar é muito importante. Cerca de 5 a 10% dos casos são denominados “hereditários”. Nesta situação há casos de câncer de mama em praticamente todas as gerações, independente de ser do lado materno ou paterno. Os casos de câncer nestas famílias ocorrem geralmente em mulheres abaixo dos 50 anos, pode haver casos de câncer de ovário associado, câncer de mama bilateral e a ocorrência da doença inclusive em homens. Estas mulheres devem ser avaliadas de maneira diferenciada pelo mastologista, com exames e propostas de tratamento diferentes daquelas empregadas para a população geral.

    Outros 20 – 25% dos casos são denominados “familiares”. Nesta situação, há um ou mais casos na família, geralmente em parentes próximos, mas a incidencia da doença e suas características não é tão marcante como nos casos hereditários. Os restantes 60 – 65%, são chamados de “esporádicos” e são aqueles casos que ocorrem nas mulheres sem nenhum outro fator de risco associado à herança familiar, mas podem estar associados a fatores ambientais.

    Existem algumas doenças mamárias, consideradas benignas, mas o fato da mulher ter apresentado este diagnóstico em algum momento da vida, pode elevar o risco para desenvolver câncer de mama. Este aumento de risco pode ser de baixo a alto e depende do tipo de doença que foi diagnosticado previamente. Estas mulheres também necessitam de um acompanhamento médico especializado pois há várias medidas que podem ser oferecidas com o objetivo de diminuir este risco alto.

    A grande parte dos tumores malignos ocorre mais frequentemente após os 50 anos de idade. Temos como exemplo o cancer de prostata nos homens, o cancer de trato gastro intestinal, pulmao e mama. Como a expectativa de vida tem aumentado em todo o mundo, o numero de casos novos de câncer diagnosticados na faixa de idade mais avancada também aumenta. Estimativas norte-americanas mostram que a chance de uma mulher desenvolver câncer de mama se viver até os 80 anos é de cerca de 12%, o que é bastante relevante.

    Mas há também outros fatores de risco, não tão importantes como os 3 citados acima mas que devem ser levados em conta. Para alguns destes fatores é possível alguma mudança de atitude frente a vários aspectos de nossa vida, mas para outros, a vida moderna, principalmente nos grandes centros, dificulta em muito a diminuição destes fatores de risco:

    • Fatores hormonais: há muito tempo se conhece a associação entre exposição aos estrógenos (hormônios sexuais femininos) e câncer de mama. Quanto maior o tempo de exposição durante a vida, maior o risco de desenvolver câncer de mama. A idade precoce da primeira menstruação, a menopausa tardia, a idade avançada na primeira gestação, a não amamentação e o baixo número de gestações são fatores que podem aumentar discretamento o risco. Nota-se que atualmente que cada vez mais as mulheres tem a primeira menstruação mais cedo, tem menos filhos, primeira gestação mais tardia e postergam a idade da menopausa com a reposição hormonal. O uso de reposição hormonal (todos os tipos de medicamentos) está ligado a um aumento de incidência de câncer, principalmente o uso prolongado. Este dado foi demonstrado de maneira muito clara depois de alguns estudos publicados a partir de 2002.

    • Fatores ambientais: existem evidências amplamente aceitas pela comunidade científica de que a exposição a radiação principalmente na fase da adolescência eleva em muito o risco para câncer de mama. A exposição a outros agentes ambientais como cigarro, pesticidas, etc não tem base forte na literatura médica.

    • Hábitos de vida: a obesidade está associada a um maior risco para câncer de mama. Atividade fisica principalmente após a menopausa parece ser fator protetor. O consumo diário de álcool (mais de uma dose – 20ml) está associado a maior risco. Em relação a dieta e ingestão de gorduras não temos ainda dados de consenso na literatura médica.

    • Densidade mamográfica: esta é uma situação de certa forma comum entre as mulheres que fazem a mamografia de rotina. As mamas consideradas “densas” pela mamografia apresentam maior dificuldade para o diagnóstico de lesões iniciais. Quanto mais gordurosa for a mama da mulher, mais fácil é o diagnóstico. As mamas densas são muito pouco gordurosas e isso independe de obesidade ou não. Independente desta observação, as mamas densas constituem um fator para aumento do risco para câncer de mama por si só.

    Portanto, frente a estas informações é importante que as mulherers tenham conhecimento destes fatores de risco, discutam com seus médicos e saibam se posicionar quanto ao seu risco individual e as eventuais medidas preventivas e seguimento que podem ser realziadas.

    Sempre devemos ter me mente que o diagnostico precoce do câncer de mama ainda é o fator mais importante que devemos buscar nos dias atuais.

    Dr. Renato Z Torresan – CRM 80429

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