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O câncer
de mama é hoje em dia um dos tipos de tumor maligno mais comuns
na população feminina e a maior causa de morte por câncer
entre as mulheres.
Observa-se no mundo todo um aumento da incidência
em praticamente todas as faixas etárias. Embora inúmeros
estudos tenham sido desenvolvidos nos últimos anos para compreender
melhor a doença e, consequentemente, criar mecanismos para
sua prevenção, é a detecção precoce
deste tumor maligno que traz os maiores benefícios em relação
ao tratamento.
A prevenção primária do câncer
de mama, está fundamentada em atitudes ou práticas
médicas com o objetivo de detectar e diminuir os fatores
de risco, o que poderia impedir a transformação de
uma célula normal em célula tumoral. Para as pacientes
de alto risco, por exemplo, preconiza-se a utilização
de drogas com ação anti-estrogênica na mama,
como o tamoxifeno e o não uso de terapia de reposição
hormonal clássica. Vários outros medicamentos têm
sido testados em larga escala neste sentido, como o ácido
retinóico e os inibidores de uma enzima chamada aromatase
que atua em alguns locais do organismo transformando hormônios
sexuais masculinos (androgênios) em femininos (estrogênios).
Alguns hábitos de vida também têm sido também
estudados e parecem ter um impacto positivo na prevenção
primária do câncer de mama, como a não ingesta
de gorduras insaturadas, o combate à obesidade e a atividade
física.
Já a prevenção secundária
é realizada através da detecção precoce
do câncer de mama, que pode ser feita por 3 maneiras:
1. Auto exame mensal: sempre acessível, de
baixo custo, mas pouco eficaz.
2. Exame clínico (realizado pelo profissional de saúde):
nem sempre é acessível, tem custo baixo a moderado
e a eficácia também não é alta.
3. Mamografia: pouco acessível no Brasil, custo alto, mas
elevada eficácia.
A mamografia
vem sendo testada para a detecção precoce do câncer
de mama há mais de 40 anos, pelos países como Estados
Unidos, Canadá, Suécia, Finlândia, entre outros,
que implementaram programas de rastreamento mamográfico.
Hoje, sabe-se que é o melhor exame disponível para
detectar a doença nas fases inicias.
Quanto
mais inicial o diagnóstico, menos mutilante é a cirurgia,
menos efeitos colaterais existem em relação à
quimioterapia, melhor é o prognóstico e maiores são
as chances de cura.
Entende-se
por rastreamento mamográfico a realização da
mamografia nas mulheres assintomáticas, em intervalos regulares.
Em geral, considera-se que a idade ideal para começar o rastreamento
seja em torno de 40 anos, com intervalos anuais ou bianuais e após
os 50 anos com intervalos anuais. Nos países que adotaram
estas sistemática, a redução da mortalidade
por câncer de mama foi em torno de 30%.
Para
as mulheres de alto risco para desenvolver câncer de mama,
este rastreamento mamográfico pode ser iniciado em idades
inferiores, no entanto, em termos gerais, considera-se 40 anos a
idade mais adequada por 2 motivos: a partir desta faixa etária
a incidência do câncer de mama é maior e a mamografia
apresenta limitações técnicas de avaliação
quando a paciente apresenta mamas chamadas de “densas”,
ou seja, como quando existe uma proporção grande de
tecido glandular mamário em relação à
quantidade de gordura, o que é mais comum nas mulheres jovens,
abaixo de 40 anos.
Portanto,
o rastreamento mamográfico é considerado hoje em dia
uma prática eficaz na detecção precoce do câncer
de mama. Consequentemente leva a diagnósticos precoces da
doença, o que implica em tratamentos menos radicais e maiores
chances de cura. As mulheres devem ser orientadas e informadas sobre
os seus benefícios. Pelo seu importante papel na redução
das taxas de mortalidade da doença que é responsável
pelo maior número de mortes por câncer entre as mulheres,
deve ser uma prática estimulada pelos serviços de
saúde em todas as regiões do país.
Dr.
Renato Torresan
Instituto de Mama Campinas
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