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Delma
Medeiros
Da Agência Anhangüera
delma@rac.com.br
Surge
mais uma novidade no tratamento do câncer de mama. Trata-se
da cirurgia associada à radioterapia intra-operatória,
um ato inovador em que a paciente realiza a radioterapia durante
a cirurgia de retirada do tumor, evitando a necessidade de irradiação
posterior. A técnica, criada pelo cirurgião italiano
Humberto Veronesi, foi trazida para Campinas pelos especialistas
do Instituto de Mama de Campinas em parceria com o Centro de Oncologia
de Campinas e tem agradado às pacientes. “Foi ótimo
fazer tudo de uma vez. A cirurgia foi tranqüila e já
pude iniciar as sessões de quimioterapia”, afirma a
dona de casa V.S.H., de 48 anos, que se submeteu ao procedimento.
V.
conta que descobriu por acaso um carocinho no seio e levou um susto
ao ter o câncer de mama diagnosticado. Mas os médicos
explicaram que o câncer estava em estágio inicial e
fácil de ser resolvido. “Foi um susto, mas felizmente,
o processo cirúrgico e a radiação foram mais
tranqüilos do que eu esperava”, disse V., contando que
fez a cirurgia pela manhã e foi para casa na tarde do mesmo
dia. Segundo o mastologista Henrique Brenelli, professor da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor do Instituto de Mama, há
alguns anos estuda-se a possibilidade de realizar esse tipo de radioterapia,
transformando em “tratamento de câncer de mama em um
só dia”, o demorado processo posterior à cirurgia.
Em
geral, as pacientes com câncer de mama submetidas a uma cirurgia
conservadora (onde se retira apenas parte da mama) realizam tratamento
complementar com radioterapia na mama operada para reduzir os riscos
de recorrência da doença. Nesses casos, as sessões
de radioterapia começam cerca de três semanas após
a cirurgia e duram em média dois meses (33 aplicações
diárias, exceto nos fins de semana). “Muitas cidades
não contam com serviços de radioterapia e isso implica,
muitas vezes, além de um custo adicional com transporte e
hospedagem, enfrentamento de ‘filas’ para receber o
tratamento”, disse Brenelli, lembrando que a demora retarda
e diminui os resultados. Ele destaca ainda o efeito psicológico
negativo das visitas diárias ao hospital. Outro agravante
é que, em geral, a realização da radioterapia
é feita simultaneamente com a quimioterapia, o que pode acarretar
uma série de efeitos indesejáveis à saúde
da paciente.
Segundo
Brenelli, a técnica ainda é pouco conhecida no Brasil
– além do Instituto de Mama, o método está
sendo implantado nos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês,
em São Paulo –, mas não é experimental
e há anos é realizada na Europa. Mais de 600 mulheres
já foram submetidas a esse procedimento no Instituto Europeu
de Milão, na Itália, centro de referência mundial
no tratamento do câncer de mama e onde o especialista fez
seu treinamento antes de trazer o método para Campinas.
Além
de segura, Brenelli destaca que a radioterapia intra-operatória
tem outras vantagens, entre elas a garantia de irradiar somente
na parte da mama afetada pela doença. “O restante do
órgão fica preservado dos efeitos colaterais da radiação
como dores, vermelhidão ou queimadura da pele e inchaço”,
disse. Há ainda a praticidade, a diminuição
do custo para a paciente, a rapidez, e o fato de não retardar
o início da quimioterapia. Para os mastologistas, o tratamento
marca uma nova fase na abordagem do câncer de mama.
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