Câncer de Mama  
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  » Fisioterapia em Oncologia Mamária
   
  Considerando a visão holística a que se propõe a filosofia de abordagem de nossas pacientes, é que foi desenvolvido um Programa de Atuação Fisioterapêutica Precoce voltado para a o universo destas mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama, iniciado na Universidade Estadual de Campinas há 18 anos e que vem sendo executado e aprimorado no Instituto de Mama Campinas.

Cientes estamos que além das alterações no aspecto estético, emocional e social, alterações físico-funcionais também podem ocorrer nas pacientes submetidas ao tratamento por câncer de mama, principalmente naquelas submetidas à cirurgia com linfadenectomia axilar e/ou radioterapia, alterações essas traduzidas como complicações dos referidos procedimentos.

Tais complicações, imediatas ou tardias, muitas vezes reversíveis ou não, podem acarretar déficit de movimento, alta probabilidade de aparecimento de linfedemas e conseqüente déficit funcional, entre outras.

Através desta visão, a fisioterapia estabelece objetivos para cada fase do tratamento, ou seja, na fase pré-operatória, pós-operatória imediata (fase hospitalar até, no máximo, 48 hs), fase ambulatorial e fase de internação, quando da necessidade de tratamento clínico.

A fase pré-operatória caracteriza-se pelo início da relação terapeuta-paciente, conscientização da necessidade de segmento de toda a orientação quanto aos cuidados básicos e da participação do profissional como elemento de apoio junto à equipe multidisciplinar.

O fisioterapeuta realiza anamnese, avaliação físico-funcional e de alguns aspectos gerais que podem intervir na reabilitação da paciente.

O procedimento realizado na fase pós-operatória imediata e endossado pela equipe médica, em virtude da resposta eficaz instantânea no âmbito global da paciente, inicia-se entre 7 a 8 horas após a cirurgia. A paciente é preparada para iniciar a movimentação ativa livre de membros superiores e em caso de reconstrução imediata da mama, movimentação de membros inferiores. Através de um preparo global, é estimulada à saída do leito seguida de deambulação. A importância desse procedimento está na percepção da capacitação funcional, amenizando possíveis fantasias destrutivas, fundamentalmente quanto a algumas atividades diárias habituais. A percepção precoce dessa capacidade é essencial, considerando que o movimento é vital à sobrevivência e, portanto, através dele, consideramos o primeiro passo concreto da reabilitação de uma paciente.

O curto período de internação favorece o rápido retorno ao lar e à realização, com adequado desempenho, das atividades da vida diária.

Após a alta hospitalar (fase ambulatorial, em geral 24 hs do pós-operatório) a paciente é encaminhada imediatamente `a clìnica para acompanhamento em grupo e / ou, quando necessário, para acompanhamento individual.

Utilizando a música e induzindo ao movimento natural através de atividades físicas, de lazer e recreação, os exercícios são executados de forma prazerosa, proporcionando relaxamento físico e emocional favorecendo momentos de bem-estar. A integração paciente-paciente, o acolhimento e a identificação entre as pacientes, bem como a interação paciente-terapeuta, favorecem o envolvimento e a participação no Programa.

Os objetivos desta fase são vários, incluindo a melhora da amplitude de movimento do membro superior do lado operado, o favorecimento da circulação deste membro, e conseqüente drenagem local, a conscientização quanto à postura adequada e esquema corporal, o estímulo à adequada cicatrização, a amenização da dor, enfim, a prevenção ou minimização das complicações músculotendíneas, articulares e vasomotoras.

É fundamental a execução de exercícios orientados durante a aplicação radioterápica visando, entre outros objetivos, o posicionamento funcional para eficácia da incidência da radiação e minimização de possíveis complicacões decorrentes ao processo inflamatório gradual induzido por este tratamento.

Na fase de reinternação para tratamento clínico, a atuação fisioterapêutica tem entre seus objetivos, que restringir ao máximo a permanência no leito, orientar quanto ao melhor posicionamento, favorecer a melhora da capacidade ventilatória, amenizar o aparecimento das complicações circulatórias e tentar restaurar algumas funções.

Acreditamos que através deste Programa Fisioterapêutico Precoce sejam oferecidas condições para adaptação à nova situação e melhora da qualidade de vida, seja por quanto tempo for possível.

Mas para se assegurar do sucesso do tratamento, é necessário que haja a participação de uma equipe multiprofissional, cuja comunicação implique em uma linguagem única e em uníssono, cujas intervenções interajam e o respeito à necessidade do outro seja real e efetiva não só na teoria, mas fundamentalmente na prática. Assim, podemos dizer que, em se tratando de câncer de mama, não somente o aspecto técnico-cirúrgico deve ser visualizado e abordado. O essencial é minimizar o mais precocemente possível o impacto do câncer e suas implicações no aspecto social, emocional, ocupacional, econômico e físico, no contexto individual e familiar, promovendo "vida" onde ainda há vida.

M. Cristina Andrade Lopes
Fisioterapeuta
 

 

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